Descobrir o mundo é a nossa maior diversão!
Período: madrugada de 13 até tarde de 17 de outubro
Hospedagem:
de 13 a 16/10 - Apartamento alugado por indicação - 65 euros a diária do quarto para o casal.
Noite de 16/10 – Ibis Porte d’Orleans – 45 euros a diária.
Dia 14 – Domingo, 16/10/11
Depois de dois dias maravilhosos em Paris, sabíamos que este ia ser uma correria total. Quando reservamos nosso apartamento, ele não estava disponível para esta noite então precisamos reservar um hotel para apenas uma noite. Os hoteis no centro de Paris são caríssimos então reservamos o Ibis Porte d’Orleans, que fica no ponto final de uma das linhas do metrô, mais ao sul da cidade.
Nossa logística era complicada. Para não precisar ir até o hotel cedinho, nós saímos do nosso apê descendo pela última vez os malditos cinco andares de escadas e fomos para a estação Gare d’Austerlitz. Lá deixamos nossas malas em um locker e ficamos só com a mochila com uma troca de roupa e os acessórios básicos. É muito fácil localizar a área de lockers nesta estação. É só procurar por “Consignes” nas placas e você chega até lá. O lugar é bem seguro e os armários são enormes! No dia seguinte, após fazer checkout no hotel, iríamos voltar lá para buscar as coisas e ir direto para o aeroporto Paris-Orly, de onde sairia nosso voo a Barcelona.
Lá da Gare d’Austerlitz tomamos o trem RER-C para Versailles. Saímos de lá as 9:15 e por volta de 10:00 chegamos a Versailles. No trem fizemos a tradicional farofada de comer um lanchinho que havíamos aprontado para a viagem, pois não tinha dado tempo de tomar café da manhã. Ao chegar em Versailles, é só seguir o fluxo que você chega no famoso palácio. Procuramos ir bem cedo por ser um domingo, mas mesmo assim já tinha muita gente e a fila para chegar aos portões durou mais ou menos meia hora.
Na entrada, já confiscaram nossas mochilas com comida. Fomos meio vacilões e na hora da revista não escondemos bem. Lá dentro tinha um milhão de pessoas tirando comida das mochilas! Bom, elas ficaram no guarda volumes e ficamos na esperança dos lanches ainda estarem vivos na hora de recolher. Assim, adentramos o suntuoso, magnífico e imponente “Chateau Versailles”.
O Palácio de Versailles é uma propriedade que abrigou o poder da França entre 1682 a 1789. Ele foi construído por ordem do Rei Luis XIV e a habitante que talvez mais tenha usado o palácio foi a lendária Maria Antonieta. Toda a história vocês podem ler no artigo da Wikipedia, que é bem completo.
Nossa ideia era ficar por lá até mais ou menos a hora do almoço e retornar a Paris umas 14 horas. Só queríamos visitar os belos jardins, que são do mesmo estilo do Palácio Schönbrunn em Viena, mas muuuuuito maiores. As filas para as visitas dos aposentos dos monarcas era absurda. Como já tínhamos feito em Viena, não quisemos ver o quarto das rainhas famosas. Nosso Museum Pass já tinha garantido nossa entrada no complexo do palácio (mas sem direito a furar fila), porém para entrar na área dos jardins é preciso pagar um ingresso na hora. Se você não tiver o Museum Pass, dá para comprar tudo pela internet. Existem diversos tipos de ingressos e acessos no site oficial do palácio.
Os franceses realmente sabem organizar o show, mais ou menos como os americanos fazem com os parques temáticos. Nos jardins do palácio, de absolutamente qualquer lugar que você esteja, é possível ouvir uma musiquinha agradável que faz os mais empolgados se sentirem naqueles filmes de época, usando aquelas perucas de cabelo branco enrolado, falando fazendo biquinho e tomando chazinho com o dedinho levantado. Típico!
O que mais tem em Versailles são fontes, mas não fazemos ideia de por qual motivo todas estavam desligadas e não soltaram uma gotinha de água sequer enquanto estávamos por lá. Seguindo o mapa, nós ficamos caminhando por lá cerca de duas horas e decidimos voltar. Para conhecer o Palácio todo é capaz que nem um dia inteiro dê conta. Além dos enormes jardins e dos aposentos no edifício principal, existem outras áreas como a propriedade de Maria Antonieta. Para andar lá dentro tem até transporte porque só caminhando é impossível!
Antes de deixar o complexo, pegamos de volta nossa mochila com os lanches e a Coca-Cola quentinha! O trem da volta estava apinhado mas por sorte conseguimos voltar sentados. E, claro, farofando porque estávamos com fome. Em Paris, nosso próximo destino era Montmartre, o bairro boêmio da cidade e onde fica a linda Basílica de Sacré Coeur (Sagrado Coração, em português).
Quando descemos do metrô já caímos dentro de uma feirinha de domingo aos pés da subida para Montmartre. Lá resolvemos uma pendência: comemos crepe! A comida de rua mais típica de Paris é realmente uma delícia. O de Nutella com Banana deve ser o campeão de vendas e parece um pacote de tanto recheio. Aproveitamos também para pegar uns souvenirs e enfrentamos a subida para a Sacré Coeur a pé.
Lá em cima havia muita gente. Nas alegres praças perto da igreja, artistas pintam e vendem quadros, multidões caminham para lá e para cá e alguns poucos afortunados conseguem sentar-se em um bar e apreciar um bom vinho. Essa, aliás, era uma de nossas ideias. Sentar do lado de fora de um bar, de frente para a rua, como fazem os franceses, tomar um vinho local e ver a vida passar. Logo desistimos quando vimos o tanto de gente e o preço de uma pequena taça de vinho (7 euros!!!).
Para chegar na igreja tem que subir um pouco mais e tem um funicular que faz o trajeto, mas é desnecessário porque a subida é muito curta. O único inconveniente são os vendedores de bugigangas que ficam enchendo o saco para você comprar qualquer coisa, mais ou menos como na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador. Os caras são meio agressivos e é recomendável ser mal educado na medida certa para se livrar deles.
A Sacré Coeur brilha com seu branco reluzente no topo da colina. A construção é muito bonita e fica ainda mais quando temos um dia de Sol e céu azul. A entrada na igreja é grátis e a fila novamente era enorme. A bagunça é inevitável e lá dentro são sucessivas as broncas dos seguranças nas pessoas que insistem em tirar fotos, mesmo sendo proibido (até sem flash). Apesar da gratuidade da entrada, lá dentro é um verdadeiro mercado. Ficamos decepcionados com essa característica, que tira muito do espírito de uma igreja. Lojinha, máquinas para prensar e cunhar moedas comemorativas, potes de doação, velas que se acendem com moedinhas, enfim, um verdadeiro comércio dentro da Casa de Deus!!
Descemos nos desvencilhando de vendedores chatos, vagabundos esparramados e artistas frustrados até chegar na estação do metrô. A Basílica de Sacre Coeur é maravilhosa por fora e linda por dentro (exceto pela exploração comercial). Montmartre é borbulhante, exala arte e cultura. E a quantidade de gente que perambula por lá é absurda!
A tarde estava caindo e era hora de fazer checkin no hotel. Nossa viagem foi longa, de Norte a Sul de Paris. Pegamos o metrô na estação Barbès-Rochechouart e viajamos quase que a linha 4 inteira até o ponto final: Porte d’Orleans. Foram 20 estações onde vimos o trem encher e esvaziar, e em cada área da cidade víamos pessoas de diferentes etnias. Foi uma viagem pelo mundo em aproximadamente meia hora. Chegando na estação final, ainda tivemos que caminhar uns 10 minutos para finalmente chegar no hotel. Paris é uma cidade complicada para quem tem baixo orçamento e só consegue se hospedar na periferia!!
Pelo menos o quarto compensou o esforço. Perto do cubículo em que estávamos hospedados aquilo era uma confortável mansão. Finalmente eu pude tomar banho sem ter que ficar meio abaixado e pudemos conversar em tom de voz normal. Além disso, a cama era uma delícia. Nos perguntamos por que não reservamos direto lá… bom, cagadas acontecem e nesta eu assumo 100% da culpa.
Aqui vamos contar um pequeno segredo de viagem, uma dica, que com certeza muita gente deve fazer mas sempre vale a pena compartilhar. Nestas paradas de fim de tarde, quando damos uma descansada e tomamos banho para encarar a noite, revezamos em turnos. Enquanto um toma banho, o outro dorme. Assim garantimos uma hora de cochilo para mim (mulher sempre demora no banho!!) e meia hora de cochilo para a Ju e um banho bem descompromissado, sem pressão!
Agora chegava um dos momentos mais aguardados da viagem: a Torre Eiffel! Como a maioria das atrações turísticas não abre a noite e tínhamos uma agenda cheia, resolvemos passar a Torre para uma das noites assim aproveitaríamos este tempo “morto”. Também supomos que as filas seriam menores do que durante o dia.
Chegamos nos arredores da Torre por volta de 20 horas e a cada metro percorrido aquele gigante de metal iluminado ficava maior diante de nossos olhos. É muito legal tentar ver nossa reação ao nos deparar com aquilo que vemos a vida toda pela TV, e agora está diante de nossos olhos. A Torre é enorme, não dá para ficar indiferente, o choque é inevitável!
Nós acertamos no nosso planejamento. A fila estava mínima, compramos o ticket no guichê e entramos com menos de 10 minutos de espera. O bilhete que dá acesso até o 2. andar, que é mais ou menos um pouco abaixo da metade da altura da Torre, custa 8,50 euros. Quando chegamos o acesso até o topo estava fechado, quando estávamos lá em cima abriu mas não quisemos ir.
Lá de cima a visão da cidade é espetacular! Tudo iluminado para todos os lados. É possível ver o Arco do Triunfo, a Torre Montparnasse, os barcos passeando pelo Sena, o Museu d’Orsay, o Pantheon… enfim, uma vista privilegiada e maravilhosa. Pena que nossa câmera não é aquela beleza e sem os acessórios adequados fica difícil captar imagens que traduzam com precisão o que estávamos presenciando, mas dá para ter uma boa ideia.
Além da vista, a própria torre iluminada é um show a parte. E de tempos em tempos, o holofote do topo se acende e gira para avisar toda Paris que a Torre a está observando! Luzes brancas pipocam por toda a estrutura e o espetáculo visto do chão é maravilhoso. Nós estávamos lá e não conseguimos ver direito, mas com certeza naquele momento tinha muita gente lá embaixo olhando para nós!
Ficamos um bom tempo lá em cima contemplando a Cidade Luz. Era nossa última noite e merecíamos este fechamento. Quando já tínhamos tirado todas as fotos, identificado cada ponto da cidade iluminado e comprado até um macarrão em forma de torre na lojinha, decidimos descer.
O dia parece bem cheio, verdade? Versailles, Montmartre, hotel no quinto dos infernos, Torre Eiffel… Mas ainda não terminou! Ninguém pode dormir de barriga vazia então faltava jantar! Para comemorar nossa despedida de Paris, decidimos ir em um restaurante estrelado pelo Guia Michelin experimentar a famosa culinária francesa, no Quartier Latin comer um tradicional e original churrasquinho grego com sotaque francês!
Entre as várias opções de comidas deliciosas na região, acabamos escolhendo o “Le Souvlaki Athenien”, que era um restaurante pequeno que também servia direto para a rua. Já estávamos quase no limite, era domingo bem tarde e o metrô fechava meia noite. A Ju escolheu um Pita Grec, que é bem parecido com o falafel/kebab, enrolado no pão sírio com pedaços de carne, alface, tomate, molho tzatziki (de iogurte) e batata fritas dentro do pão. O meu era quase a mesma coisa mas era na baguete e não no pão sírio. Os lanches estavam absolutamente deliciosos, suculentos e sustanciosos! É sim possível comer bem e barato em Paris, é só ter criatividade, seguir os nativos e não ter preconceito de comer na rua.
Antes de ir embora, ainda demos aquela passada básica na Amorino, que já estava fechando, para comer um sorvetinho porque ninguém é de ferro! Fomos correndo para o metrô e conseguimos embarcar antes de fechar. E assim terminou nossa última noite em Paris, em um quarto aconchegante e uma cama bem gostosa, tudo o que precisávamos!
No próximo post, nossos últimos momentos na cidade. Notre Dame, Arco do Triunfo e Champs-Elysées!
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