Descobrir o mundo é a nossa maior diversão!
Este post é uma edição especial contando a nossa saga entre o aeroporto Charles de Gaulle até o momento em que adormecemos em nossa cama em Paris! Ele abrange um período de tempo mais ou menos entre 23hs do dia 13/10 até as 3 da manhã do dia 14/10 e mostra que nem sempre tudo dá certo nas viagens! Resolvemos destacá-lo da sequência natural para no post seguinte começar o relato da nossa visita de fato em Paris.
Vale recapitular que em 2010 nós não conseguimos ir para lá por causa da greve geral na França, que cancelou todos os voos bem no dia em que iríamos. Tínhamos reservado o mesmo apartamento desta vez, indicado por a amiga de uma amiga, e a proprietária Vanessa tinha sido bem compreensiva conosco em cancelar em cima da hora e dispensar o pagamento que faríamos assim que chegássemos lá. Por gratidão e compreensão, resolvemos reservar o mesmo apê. E Paris era uma conta pendente que queríamos pagar com honras. Inclusive, o aniversário da Ju, dia 15/10, iríamos passar lá! Assim, podemos começar a contar todas as emoções que passamos do primeiro ao último minuto na Cidade Luz.
Fim do dia 11 e começo do 12 da viagem – De quinta (13/10) para sexta-feira (14/10), na calada da madrugada parisiense
Saímos de Praga às 21:20hs e chegamos ao Charles de Gaulle por volta de 23:00hs. Até pegar malas, ir ao banheiro e etc., já era quase meia noite. Com opções reduzidas de transporte para a área da Bastilha, fomos atrás de umas pessoas que também não sabiam nada de transporte e acabamos pegando um ônibus da Air France que parava no Arco do Triunfo. Aí recebemos o nosso Bienvenue a Paris: 15 euros cada passagem!
A viagem de quase uma hora foi maçante pois o ônibus estava apinhado, estávamos sentados separados e a quantidade de mochilas e malas de mão que todo mundo portava impedia que se mantivesse uma postura decente no assento e as costas e pernas já resmungavam. Isso somado aos 30 euros do ônibus, ao horário e ao sono, já começava a nos irritar. Chegamos no Arco do Triunfo e ganhamos de brinde nosso primeiro ponto turístico de Paris!! Pegamos um táxi e deixamos mais uns eurinhos até chegar ao apê, próximo à Bastilha.
A Vanessa já estava nos esperando na porta do prédio e nos deu a má notícia que sabíamos, mas tínhamos esquecido: eram 5 andares sem elevador. Já eram quase 2 da manhã, depois de caminhar a manhã inteira, viajar 3hs de ônibus a Praga, depois mais tempo de espera no aeroporto, 2hs de voo até Paris e 1h dentro do maldito ônibus da Air France, imagina nosso ânimo!!!! O estado e a inclinação das escadas tampouco ajudou. Os degraus eram pequenos, a escada estreita e íngreme. A prestativa Vanessa ajudou a subir uma das malas, mas ficamos pensando que todos os dias teríamos que encarar aquele exercício.
Enfim, chegamos ao apartamento. Aliás, o minúsculo apartamento! Os apês de Praga e Budapeste eram mansões comparados a este “sótão” que pegamos em Paris. Cozinha, cama, mesa de jantar, estante, TV e banheiro. Tudo isso ao seu alcance onde quer que você esteja. Deitado na cama era praticamente possível ligar o fogão de um lado e a TV do outro. Mas a desgraça não parava por aí! O nosso mundo praticamente caiu quando a Vanessa falou que tinha descoberto aquele dia mesmo um “probleminha”: a descarga estava quebrada!!!! Sim, amigos, soma todos aqueles fatores que falamos no parágrafo acima com nossa impressão do apartamento e a descarga quebrada, e lembre-se que eram umas 2:30hs da manhã e pensa como estávamos felizes. Porém, a Vanessa disse que tinha dado um jeito na descarga, porque o problema era na boia, e que no dia seguinte iria atrás de um encanador para arrumar de vez. Caso desse problema e quebrasse de novo, era para a gente usar um BALDE que estava no armário. Isso mesmo que você leu: UM BALDE!!!! Desculpa, não fomos para Paris para dar descarga com balde, é o cúmulo do anticlímax. Mas esta ainda não foi a gota d´água.
Aqui dá para ter uma ideia do tamanho do apê. Em 3 fotos temos um tour completo:

Começando pela direita: a Ju cozinhando, a porta de entrada e a cama. À direita, fora do quadro, tinha um armário.

Por fim, a porta do banheiro, a estante com a TV e a mesa de jantar de onde eu estava sentado para tirar estas 3 fotos.
Nos despedimos da Vanessa e a Ju foi tomar banho. Eis que batem na porta. Abro a porta e uma chinesa com cara de sono “ei, já são quase 3 da manhã, dá para parar de fazer barulho, eu tenho que trabalhar amanhã”. É gente, parece aqueles comerciais das meias Vivarina “mas ainda não terminou, você ainda ganha…”. O barulho em si era o próprio chuveiro, não havia o que fazer. No fim das contas, a Ju abdicou do secador e dormiu de cabelo molhado, soma mais um problema no nosso medidor de raiva.
Para fechar a noite fui testar a descarga. Termino meu número um e dou a descarga. Foi a primeira e única da noite, já que a descarga quebrou na mesma hora! Pelo menos não precisamos do balde desta vez. Então começamos a discutir, em voz baixa para não incomodar a chinesa, o que iríamos fazer. Dentro de um apê minúsculo, sem poder falar em tom de voz normal, sem poder ir ao banheiro (ou usar a milenar técnica do BALDINHO), com 5 andares de escada para subir e descer inúmeras vezes ao dia, o que iria ser de nossa vida em Paris? E o aniversário da Ju, onde planejamos um belo jantar de queijos e vinhos em casa, iríamos fazer como? Cantando parabéns pra você baixinho???
Cogitamos falar pela manhã com a Vanessa e sair do apartamento e procurar um hotel. Se fizéssemos isso iríamos perder no mínimo uma manhã inteira, além de pagar as diárias caríssimas dos hotéis do centro de Paris. No fim das contas, decidimos que o melhor a fazer era dormir para esfriar a cabeça, e decidirmos tudo quando a gente acordasse.
Depois do que aconteceu em 2010, começar a nossa nova tentativa dessa maneira parecia ser uma zica incurável. O lance do balde foi demais, sabe quando parece que o destino está de sacanagem com você? Era essa a sensação! Mas no próximo post as coisas começam a melhorar, a começar pelo azul maravilhoso do céu de Paris, depois de dias cinzentos desde Budapeste.
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